26/06/2009

A ASSINATURA EMOCIONAL DAS CORES

Por: Patricia Douat Garcia

O uso dado às cores, conforme os hábitos das diversas culturas mundiais durante o decorrer dos séculos, tinha o objetivo de obter resultados dirigidos diante de situações específicas como ferramenta de manipulação psicológica que, segundo a sabedoria popular, tem provado ser muito mais acurada do que se imaginava.

BRANCO
Pitágoras, o filósofo grego, acreditava que a cor branca continha, além de todas as outras cores, todos os sons. Esta crença reflete-se na propriedade da cor branca de representar a divindade, sinceridade e transformação nos simbolismo do som dos sinos e gongos.
Muitos dos antigos templos e das atuais igrejas são brancas.
As tradições nipônicas consideram o branco a cor do luto.

PRETO
Na Idade Média o negro era associado à Saturno, o porco, ao Domingo e ao nº 8.
Em Madagascar uma pedra negra é colocada em cada um dos quatro pontos cardeais, sobre o túmulo, para representar a força da morte.
Já para os antigos egípcios a negra lama do Nilo representava um renascer e os gatos pretos eram considerados duplamente sagrados diferindo das crenças ocidentais da Idade Média, nas quais os gatos e lebres pretos eram considerados familiares, isto é, mensageiros do demônio.
Na Roma antiga sacrificavam-se bois pretos para satisfazerem os deuses das profundezas.
Nas Ilhas Britânicas existem histórias de um cão negro, parte fada parte fantasma que, se visto, acaba com o bom humor do infeliz que estiver olhando na sua direção.

VERMELHO
O Vermelho é uma cor mágica em muitas culturas, representa o sangue, a essência da vida.
Ervas eram amarradas com uma fita vermelha e esta era, por sua vez, amarrada em volta da cabeça para aliviar a dor da enxaqueca.
Os chapéus dos gnomos a capa das fadas e o chapéu dos magos são, muitas vezes descritos como vermelhos. E muitos fantasmas tem sido vistos enrolados em flanela vermelha.
A cor vermelha é bastante desagradável para os maus espíritos, por essa razão, na China, os rabichos dos sábios eram trançados com uma fita vermelha para afastar os maus espíritos e as mães faziam o mesmo com o cabelo das crianças ou as costuravam dentro do bolso pela mesma razão.
No Japão, crianças com catapora são mantidas em um quarto totalmente vermelho, vestidas com roupas vermelhas para apressar o processo de cura.
Os ingleses usavam lenços vermelhos no pescoço para afastar os espíritos que causavam o resfriado e as runas dos povos nórdicos eram marcadas em vermelho.

AMARELO
Os corpos dos aborígines australianos são pintados com ocre amarelo nas cerimônias funerárias.
Na China os magos escrevem seus feitiços em papel amarelo para aumentar sua potência.
Na Idade Média tanto Judas como o Diabo eram representados vestidos de amarelo.

LARANJA
As laranjeiras fornecem uma generosa colheita ano após ano e, tanto nas culturas ocidentais como orientais, suas flores são usadas pelas noivas como um símbolo de fertilidade.

PÚRPURA/MAGENTA/VIOLETA
Púrpura/ Magenta e Violeta são, na verdade, representações de uma mesma cor, que variam na intensidade de luz. É um tom especialmente sagrado para as culturas romanas e egípcias nas figuras de Júpiter e Osíris. Associa-se às dimensões sagradas, justiça, diligência, nobreza de espírito, pensamento religioso, idade avançada e inspiração.
Na igreja católica o Púrpura/Magenta é usado pelos sacerdotes para transmitir santidade e humildade. Na China o violeta simboliza a morte e é a cor das viúvas.
ROSA
O Rosa é outra cor ligada à deusa romana e grega do amor e da beleza, Vênus e representa os aspectos mais suaves do amor e bondade.

DOURADO
O Dourado é o poder do sol e suas deidades como o deus egípcio Ra e o deus grego Apolo.
Na Idade Média os curandeiros prescreviam água ou licores com folhas de ouro para a cura de problemas nos olhos e como tratamento das doenças graves.

AZUL
O Deus dos Judeus ordenou aos israelitas que usassem um barrado azul em suas roupas.
É a cor das roupas de Odin, deus supremo dos povos Nórdicos. O deus hindu, Vishnu era azul.
É a cor das roupas de Nossa Senhora. Azul era a cor sagrada dos Druidas; no dia 18 de Agosto, durante a celebração do Eisteddfod no velho país de Gales, druidas desejando obter o título de Bardos vestiam-se de verde para a cerimônia; aquele que ganhasse o título recebia permissão para fazer a leitura de um livro de runas, era abençoado com uma espada e ganhava uma fita Azul. Daí por diante o novo bardo se unia ao grupo tão honrado em Gales.
Na Escócia as pessoas usam roupas azuis para restaurar a circulação.
No norte da Europa, por volta de 1600, um pano azul era usado no pescoço para evitar doenças.
Culturas asiáticas acreditam que vestir ou carregar algo azul afasta o mau olhado.
Nas culturas orientais o azul é conhecido como o envelope áurico que contém e sustém a vida.

VERDE
Na Irlanda o verde é associado às fadas e acredita-se que pode dar azar devido a esta ligação. Entretanto se você soprar gentilmente a lanugem do cardo ou do dente-de-leão para ajudar as fadas no seu caminho, você pode usar esta cor com impunidade.
No antigo país de Gales, Verde era a cor usada pelos druidas durante a cerimônia do Eisteddfod.
O Verde é muito usado nos hospitais com base na crença de que esta cor ajuda o processo de recuperação da saúde.
MARROM
Nas culturas orientais acredita-se que o Marrom incorpore toda a força natural do elemento terra. A força vital do nosso planeta.
As culturas orientais acreditam que as estações, a natureza e até os pontos cardeais exercem direta influência sobre nossa vida, fazendo com que se tenha sorte, dinheiro e até uma vida amorosa bem sucedida.

Em todos os setores, se levarmos em consideração as cores dos elementos e suas conotações temporais, podemos jogar com tons e nuances de maneira a conseguir uma gama maior de opções, sem obstante perder sua eficácia.
As cores representam aspectos da natureza e trazem para nossa vida as mágicas qualidades básicas dos elementos que representam.
A mágica foi a primeira expressão espiritual do homem e vem fazendo parte de nossa sociedade por milênios. Mudando de forma e denominação em relação direta com as mudanças políticas e sociais de um povo, passou a ter diversos nomes e formas de expressão como, fé, preceitos, conhecimento, sabedoria, mito, religião, etc, porém continua basicamente o que sempre foi, pura magia.
A definição oficial de magia, segundo os dicionários é: a arte de produzir, por meio de certos atos e palavras, efeitos contrários às leis naturais; fascinação; encanto; instituição baseada na crença da força sobrenatural, regulada pela tradição e constituída de práticas, ritos cerimônias em que se faz apelo às forças ocultas e se procura alcançar o domínio do homem sobre a natureza.
E assim tem sido por mais de vinte e sete mil anos, desde as primeiras manifestações do poder das cores nas paredes das cavernas, aos mais insignificantes objetos, passando por casas, carros e tecidos, pois todos também tem como objetivo manipular as emoções do público consumidor com seus estilos e design, usando as cores para garantir uma posição de destaque em seu meio.

Patrícia Douat Garcia faz parte da Associação Brasileira da Cor/ São Paulo, é artista plástica, e colaboradora da revista virtual Modabrasil da Universidade Anhembi Morumbi. É consultora e especialista em psicodinâmica das cores, mitos e culturas.
Enviado por: MundoCor

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