17/05/2010

INSUBSTITUÍVEL


O Sonho, de Pablo Picasso (1932)
Na sala de reunião de uma multinacional o diretor, nervoso, fala com sua equipe de gestores.
Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um, ameaça: "ninguém é insubstituível".
A frase parece ecoar nas paredes daquele local em meio ao silêncio.
As pessoas se entreolham, algumas baixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada.
De repente, um braço se levanta e o diretor se prepara para triturar o atrevido:
- Alguma pergunta?
- Tenho sim: E Beethoven?
- Como?; o encara o diretor confuso.
- O senhor disse que ninguém é insubstituível, e quem substituiu Beethoven?
Silêncio.
O funcionário então fala:
- Ouvi essa estória esses dias, contada por um profissional que conheço, e achei muito pertinente falar sobre isso. Afinal, as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos, mas, no fundo, continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar.
Quem substituiu Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Garrincha? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Pelé? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso? Zico? etc...
Todos esses talentos marcaram a história fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem, ou seja, fizeram seu talento brilhar. E, portanto, são sim insubstituíveis.
Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa.
Está na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe focando no brilho de seus pontos fortes e não utilizando energia em reparar seus erros/deficiências.
Ninguém lembra e nem quer saber se Beethoven era surdo, se Picasso era instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy egocêntrico, Elvis paranóico...
O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis, e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos.
Cabe aos líderes de sua organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços em descobrir os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto. Se seu gerente/coordenador ainda está focado em melhorar as fraquezas de sua equipe, corre o risco de ser aquele tipo líder técnico, que barraria Garrincha por ter as pernas tortas, Albert Einstein pelas notas baixas na escola, Beethoven por ser surdo. E na gestão dele, o mundo teria perdido todos esses talentos.
Seguindo esse raciocínio, caso pudessem mudar o curso natural, os rios seriam retos, não haveria montanha, lagoas, cavernas, nem homens, nem mulheres, nem sexo, sequer chefes ou subordinados... apenas peças.
Nunca me esqueço quando o Zacarias dos Trapalhões "foi para outras moradas". Ao iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim: "Estamos todos muito tristes com a 'partida' de nosso irmão Zacarias... e hoje, chamamos... Ninguém... pois nosso Zaca é insubstituível".
Portanto, nunca esqueça: Você é um talento único... com toda certeza, ninguém o substituirá!
"Sou um só, mas ainda sou um. Não posso fazer tudo..., mas posso fazer alguma coisa. Por não fazer tudo não me recusarei a fazer o pouco que posso."
"No mundo sempre existirão pessoas que vão amá-lo pelo que você é..., e outras..., que vão odiá-lo pelo mesmo motivo..., acostume-se a isso..., com muita paz de espírito...".
É bom para refletir e se valorizar! Uma ótima semana... Insubstituível!

3 comentários:

Curimã Hei, Curimã Lambaio!! disse...

Lindo blog! Lindas ideias e imagens! Parabéns...Virei fã! Um bjo!

Lucimara Scomparim disse...

Grata pela visita.

Abs,

Lucimara

Anônimo disse...

Obrigada amiga. Creio que precisava ler isso hoje.
Um beijo!
Malice Miller

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